sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Preguiça

Quero ser uma ilustradora, quero ser fotógrafa.
Quero ser uma designer ótima, uma pessoa maravilhosa e caridosa.
Quero ganhar dinheiro, não quero passar fome.
Quero acordar sempre feliz, me aborrecer pouco, ter uma paciência enorme.
Dormir o suficiente, acordar cedo, fazer exercícios.
Quero ver bons filmes, ver muitos seriados.
Manter meu armário e minha vida organizados.
Cuidar da louça, cuidar da saúde.

Mas tem dias que acordo com tanta preguiça.

sábado, 1 de janeiro de 2011

km

nuns dias são tão poucos passos medidos
noutros são passos largos grandes fudidos
o que se sente, às vezes tão esparso
se transforma em segundos

andando numa linha reta
faço um desvio quando apenas um par de pés
aparece a estrada principal
onde anda na orla com a onda que quebra na ré

e nas placas de distâncias
parece que não chega e demora pra chegar
e então tudo o que dá pra ver é ânsia do que eu quero ser.

domingo, 28 de novembro de 2010

Tem dia que não acontece nada de bom.
Nada mesmo.


domingo, 31 de outubro de 2010

auto suficiência

just like that
sabado a noite
arrumar
coloca uma música e então se diverte

sábado, 2 de outubro de 2010

Ruim ver que não há um local que acolha
Bom saber que já passou
Péssimo saber que não vai voltar
Não saber se aproveitou

Enquanto o seu continua
Não me pertence

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pedra

Sonhei e chorei de saudade. Fiquei por tempos pensando e falei com alguém que me entenderia. Este alguém me entendeu e então eu escorri inteira por dentro por um choro que me é infinito e esta saudade imensa que se conforta com as lembranças.

Subi no alto da empolgação e das expectativas, cantei vitória e despenquei. Era algo tão pequeno, mas tão significativo (pelo menos pra mim). E então como sempre faço e nunca me corrijo, superanimei, superextravasei, superirritei, superodiei. Super fiz planos de matar todo mundo, tacar uma bomba no mundo. Mas passou. Ficou aquela chateação que tanto me chateia.

Relembro e revivo, relembro e me irrito. Muito me irrita (mais ainda) o fato de sentir tão intensamente os aborrecimentos. O machucado no dedo dói até hoje e sempre que lembro, revivo e aborreço again.

Só venho aqui pra chorar e pra reclamar. Venho aqui quando me incomodo. Porque é só nestas horas que me lembro que isto existe.

Nas outras eu gosto de viver lá fora, que é menos escuro, menos frio, e muito mais legal.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Assim

Uma viagem


domingo, 15 de agosto de 2010

about

sou flor que não se cheire
sou insegurança medo
sou a autocrítica pesada

mas daí penso de novo e não sou nada disso
porque não quero ser nada disso
ou pelo menos ser um pouco menos

mas então penso de novo
e confundo
não sei pra onde vou

sinto forte o vácuo grande
pós despedida
pós abraço apertado e enrolado

choro no final de todos os filmes
encontro minha paz deitada no nível do chão
leio mais de dez vezes cada livro que gostei de ler

sempre que penso em mim
acho que pensei demais
paro de pensar então

gosto das coisas simples
gosto da velocidade
mas ando me arrastando

não sei de nada.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dor

Minha dor é do frio que não passa
Da saudade que só grita
Da fome que não se sacia

Minha dor vem de mim
Toda de mim

sábado, 24 de julho de 2010

Coração

Quando algo vem, parece que todas as coisas pipocam ao mesmo tempo, para testar sua paciência, seus limites. O que for.

Bate a saudade de tudo o que se foi, das pessoas que não verei mais. De abraços com data marcada. Das mais belas amizades que cultivei, e vêm sendo mantidas com muito carinho.

Não sei explicar a saudade de tantas conversas que não vão a lugar algum, ou de risadas que só por nós são compreendidas. Da cumplicidade do nosso olhar, que se manteve intacta. Alegria é ver como nossos hábitos foram sendo substituídos, e de nós duas ainda se encontra um vínculo grande e crescente. Saudade é não poder te encontrar por acaso numa esquina, no supermercado ou na escola. Saudade é isso bem grande que explode aqui.

A tristeza de se estar triste. Como se não houvesse o direito de chorar, quando tanta coisa boa acontece. Não sei, não sei.

Não sei resumir um sentimento numa frase, um pensamento numa estrofe. Não sei controlar meus pensamentos, meu fluxo, meu sono, meu ódio, muito menos o meu amor.

Sei que sem tudo o que faz parte de mim, não sei nem chorar.


Preciso

Qual será a palavra que perdoa, que consola, que anima.
Ou o nome desse sentimento ruim que nem sei se é culpa, ódio, tristeza, inconformismo ou se é só um ciúme idiota mesmo.

Queria ter o dom da palavra, saber explicar e desculpar. Queria não passar mais um dia sentindo uma dor de um sentimento que se alimentou sozinho e de repente saiu.

Não quero o tempo, quero uma solução imediata que melhore tudo aqui e agora. Quero menos km separando as pessoas. Quero um lenço que não grude, uma tristeza que se dissolva e evapore. Quero sol todos os dias do ano, chuva nas noites, doritos no armário. Quero tristeza que não exista. Quero coração que rapidamente se recupera, ciúme que morra, insegurança idem.

Quero aprender tanta coisa ainda, que não sei. Eu que sou pequena e criança.

Mas antes de deitar, quero só mais um abraço, daquele dos grandes. Um beijo também, dos grandes. Igual a você e seu grande coração.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Pois então

Tem dia de ser feliz e sorrir.
Mas hoje acordei sem vontade de acordar, trabalhei sem vontade de trabalhar.
Até mesmo comi sem fome, e então não sei o que fazer.
Me sinto tão igual a qualquer coisa sem importância, que agora não sei mais onde estou e pra onde vou.

Hoje, de novo, novamente, mais uma vez, choro sem parar. Por uma solidão em partes.
Por uma ingratidão que parece tão evidente, sem sentido e sem noção.
Se há o dia ruim de estar triste, hoje é o meu.
E se o bad hair day é só um dia, o meu vai demorar um pouco mais.

Apaga isso, deleta, atualiza, finge que não leu. Porque a importância de um choro qualquer é nenhuma quase zero.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

bosta

bosta

sábado, 26 de junho de 2010

Oito anos

E então dentro dessa feminilidade pequena
cai a pílula de farinha
e bate no estômago dissolve espalha

Num filme que passa
aparece a amizade
junto com o som da música o cheiro
a grama verde e as tardes de infância

Num olhar curioso e brilhante
vejo o tempo que disparou
e me deixou hoje parada no ponteiro das horas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ninguém lê isso aqui mesmo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Perigo

Com o carro rasgando a avenida
Com a escada de dois degraus
com os quinze mil reais nas mãos

No helicóptero que cai
do verme que se alimenta
na fração de segunda da pizza da vida

Cuidado com a gripe fria
piso gelado maionese estragada bala perdida
Cuidado com o caroço da azeitona da gota d'agua do absurdo da vida

Amarra esse fio tão fino num mais ainda, segura de leve
não se deixa levar, mas se deixa flutuar
mas amarra bem de leve pra não se perder


domingo, 13 de junho de 2010

Amor

Já escrevi uma vez sobre o amor.
Bem mais de uma.

Não faço a menor idéia de quantas faces tem o amor, mas hoje pensei tanto. Pense acordada, chorando, sonhando, sorrindo, lembrando. Acordei de coração pesado, e comecei a esvaziá-lo, rever o que aflige e aliviar uma dor boba. Como quando a dor não é grande pra ir num hospital mas basta um painkiller e ok.

Mas e então, por que? Porque dormi mal, acordei pior, choro uma dor que não entendo, reclamo de uma vida que me agrada, implico com quem não merece? Não sei, mas o arrependimento que tenho hoje pela palavra mal dita ontem, é inexplicável, que um pedido de desculpas é só uma tentativa de reparação. Não custa tentar. Mesmo que meu pedido pareça sem sentido, atrasado, irreparável, ou qualquer outra coisa. Estou sendo repetitiva, sempre fui. Desculpe.

Desde sempre, desde que entendo me por gente, parece que a minha vida seria uma sucessão de erros. Me acostumei a abaixar a cabeça, esconder o choro, pedir desculpas e ficar pensando em como eu sou ruim e nunca boa o suficiente. Não faz sentido.

E vinha me sentindo uma das piores pessoas do mundo, talvez por saber que nunca vou ser boa o suficiente. Mas que tipo de critério é esse que estabeleci na minha vida, que nem eu sei do que se trata e qual é a escala de 1 a10. Então me satisfaço, percebo que minha vida é a mais maravilhosa. O que seria de mim se não fosse a minha vida? Tenho tudo o que quero, e seu olhar me acalma, me incrimina ver sua preocupação, me emociona seu carinho, me diverte sua risada, me conforta a sua existência.

Então como me conformar com meia hora disso por dia? Não sei, mas se não houvesse essa meia hora por dia, acho que eu morreria. São os minutos mais felizes e preciosos do meu dia. São a bateria pro resto do dia, a motivação pra minha vida e todo o porquê do sorriso e das lágrimas. Chorar não é sempre ruim, costuma ser bom. Mas minha vida é uma sucessão de felicidades interrompidas por reclamações bobas.

Calma, respirei fundo algumas vezes, já passou. Pois é, eu sempre entendo. Não me julgue hostil ou ingrata ou infeliz. Eu entendo mesmo. Mas minha falta de maturidade me impede de conviver imediatamente bem com as situações.

Quando a gente tava no início da amizade, assistimos um filme e falamos que a nossa vida era bem assim. "Se você pula, eu pulo." Isso nunca mudou em mim. Isso nunca mudou em você.

Amizade sempre foi um amor grande, mas mais fraternal. Porém tão puro quanto o amor-amor.

Desculpe pelas minhas desculpas, meu amor. Pelas minhas lágrimas com ou sem motivo, porque elas me ferem, mas se pra mim é ruim, pra você é pior. Só me abraça, me faz lembrar do gráfico, faz aquela boca que eu odeio. Porque mesmo odiando, eu não sei odiar nada que vem de você. Você nunca me feriu, porque apesar de tudo, eu sempre entendi.

Agora vou ali amarrar um cordãozinho no coração e trocar de lenço.

sábado, 12 de junho de 2010

Poço

Grande crescente
Vêm abundante intolerante
Ignorante quase incessante decadente

Quase tão quente
Totalmente fervente

Nem chego perto
Mas sempre há quem o atente
Vai e dorme
Tomara que o sono te alegre e acalente

Maldito ódio inerente.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Segunda feira, onze e meia

E então deu vontade de escrever. Nem sei o quê, nem sei se tem o que escrever (mas já estou aqui). Só bateu a sensação de que precisava dizer alguma coisa.

Não sei se é uma melancolia leve que aparece por alguns dias, noites. Pode ser o vídeo do youtube que eu abri, o sorriso do umbi, o chá que acabou, a noite que tem que acabar. Não sei.

Sei que essa melancolia é até boa. Tem um sabor diferente. Sabe como é, felicidade é relativa mas alegria é insconstante. Euforia idem. Parei então pra pensar nas roupas que eu não lavei, sendo que liguei a máquina e deixei metade das roupas em cima da cama.

Tem tanta coisa pra pensar, mas hoje mais do que nunca quero pensar em coisas que passaram. Tipo os brinquedos perdidos da infância que até hoje são lembrados. Ou o carinho e o olhar de um dos homens da minha vida. Aquele que cortava a minha franja, me botava num banco alto (que eu amo até hoje), me levava pra pescar, me mostrava suas coleções, ria de mim, ria comigo, e tinha um dos olhares mais profundos, que aguardo ansiosamente rever. Esse é um capítulo especial.

Também tem todas as mudanças e perdas de amigos, e amizades fortalecidas. Tem os amores vividos, os amores morridos. A rebeldia sem causa, achar que era dona do mundo, quando os dias duravam incontáveis horas.

Mas tá, quem vive de passado é museu. Mas como deixar de carregar esses pensamentos que me vêm à cabeça todos os dias? São tão importantes quanto sair de casa sem as pantufas (ou chinelos).

É só isso mesmo, só lembrar. Dar uma olhada no álbum de fotos que separei sem ordem correta e guardei na memória. Não é preciso ficar triste para se sentir bem. Já que é a felicidade é que faz sentir me viva.

E a cada dia que acordo e me olho no espelho, vejo uma cara de sono, um cabelo sem cortar há meses, mas vejo beleza. Fui me construindo pra ser exatamente como sou.

Boa noite.

sábado, 29 de maio de 2010

Motivo

Mesmo quando não há
Quando há
e quando vai deixar de existir

Todos aqueles cílios hiper sensíveis-sensitivos
à flor da pele absurdo delírio
despejam uma enxurrada de absurdos

Depois da descarga seca se o lencinho
droga droga droga droga droga

pra quê.