terça-feira, 20 de outubro de 2009

ciclos?

queimar aos poucos, talvez

despetalar para então desabrochar.

despetalando...

domingo, 4 de outubro de 2009

família ê.


no final das contas o que sobra é a família, e sempre será assim.
Por mais que ela não seja que nem a que aparece na novela, ou nas revistas. Por mais que não seja perfeita, acho que sempre tem que haver um modo de tornar a convivência agradável.
Aqui em casa sempre foi meio complicado de viver em paz. Era sempre uma chuva de discussões normais à todas as famílias. Mas essas discussões foram se agravando, rebeldes sem causa (incluindo eu) aparecendo, modos de pensar diferentes. Pessoas diferentes.
E de repente estávamos lá, nós quatro. Quatro estranhos morando debaixo do mesmo teto, comendo da mesma comida, buscando liberdade e felicidade do lado de fora, enquanto dentro o caos comia solto e tudo o que era paz ia sendo destruído.
Tive os meus dias difíceis, e sei que ocorreram junto com dias difíceis para meus pais. Era complicado chegar em casa e ver que não me viam. Ver que a porta do quarto me isolava de uma família que eu sentia ter me renegado.
O tempo passou e fui conquistando de volta meu lugar na família. Em meio à papos bobos na hora da janta, comentários bobos no meio da novela, olhares inocentes, sorrisos bobos.
Pra mim, estava tudo bem.
Depois de uma semana agitada qualquer, vi que as coisas bonitas já não moravam aqui, e não moravam fazia tempo. Vi a rebeldia, sujeira, falta de consideração.
Hoje então, o lar explodiu. Quando a pessoa mais calma explode, significa que o caos chegou. Foi dito o que era pra ser dito. E foi escutado o que não queria ser escutado. Choveram coisas de ódio, caíram lágrimas de raiva. E então ficou claro que a casa é pequena, as pessoas são grandes.
Muita coisa ficou clara.

É por isso que só fotografam momentos felizes.

família á.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

coração.

coração.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

o remédio pra isso, praquilo.

remédio pro tédio
remédio pra raiva
é o remédio pra calma
que é o remédio pra tudo

tempo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

no pôr do sol


Essa coisa de ser adulto, que nos obriga a ter certezas. A trazer respostas e não dúvidas. Papai sempre dizia 'me traga soluções, e não problemas'. Papai esteve sempre certo.
Esse vaivém do dia, andou me impedindo de outros vaivéns bem mais prazerosos. Isso refletiu em uma vida cansada, um trabalho chato, sorrisos caídos e uma depressão tão evidente (pelo menos pra mim). Quando cansei de me cansar, comecei a chorar. Chorei por me sentir tão perdida, imatura e cansada. Tudo isso em um mundo que me exige exatamente o contrário.
Além de imatura e invejosa, me senti velha. Velha por carregar um peso nas costas que não me pertence. Velha por praguejar pelo simples fato de que o bar não toca a música que eu quero.
Nisso tudo, eu senti falta do sol. O sol nasce e eu durmo. O sol se põe e eu estou numa sala.
Tenho conversas rápidas em meio a horários de ônibus que não batem. Tenho um café com sabor de meia suja e um estômago colando às costas na incessante tentativa de perder uns quilos. Nisso, eu esqueci que o meu sol está sempre ali, dentro de mim. E sempre há alguém pra acendê-lo. Mesmo que esse 'alguém' não perceba, e muito menos eu. Mas está lá, e sempre esteve.

Acho tão belo o verso, mas não tenho o dom de condensar palavras. Admiro quem o faz.

Os dias seriam muito melhores se começassem com sol, as noites começassem com chuvas. Quando isso não acontece, apenas imagino, e isso me completa momentaneamente e traz uma sensação de que amanhã isso vai acontecer. A sensação de que eu não precisarei me preocupar com quais são as meias mais quentes, ou se o casaco de frio está lavado. Gosto de andar despreocupadamente. Com sapatos sujos e cabelo sem pentear. Ironicamente, nasci mulher e as outras mulheres me forçam a feminilizar me. Gosto de passar feriados sem tomar banho, dias sem lavar o cabelo ou até mesmo horas sem escovar os dentes. Quando os faço, a sensação de limpeza que me preenche é indescritível. Gosto de procrastinar prazeres para intensificá los.

Gosto de falar na primeira pessoa, gosto de palavras fáceis. Gosto de sentimentos. Gosto de repetições. Mais do que tudo, gosto de coisas que tocam o coração. Um dia minha cabeça enlouquecerá e terei alzheimer ou qualquer coisa que o valha (cada um pega certas pragas de família, e eu certamente já tenho a minha), mas meu coração terá sempre as memórias vivas e acesas, por mais que eu não lembre, e por mais que ninguém lembre. Sei que minha cabeça não funciona sem meu coração. Mas acredito que meu coração funciona sem minha cabeça.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

'música para se ouvir em silêncio'


Quero um tipo especial de silêncio por hoje
Este de agora está me causando náuseas

Prefiro o silêncio sincero que o lar não me dá
Mas que fora é fácil encontrar

Voltando pra casa, as nuvens pareciam apocalípticas
Eram todas em pedaços, nem dava pra chamar de nuvem
Eram muitas nuvenzinhas

Meu amor também se dispersa às vezes (tão raro)
Mas hoje ele se condensou
tanto, que quase doeu.

Causou é uma exposição de dentes acompanhada de uma gota salgada feliz.

domingo, 30 de agosto de 2009

natural

talvez o sossego more junto com a confusão
e sejam a mesma coisa, tudo depende de qual pé foi pro chão primeiro.

com um espelho ao lado as coisas ficam bem diferentes
dá pra ver como o tempo passou e o cabelo cresceu

tô tirando as coisas de cima dos ombros.