terça-feira, 19 de janeiro de 2010

o sono vem arrebatando as fronteiras
separando o confuso do mais confuso ainda
e então todas as árvores da estrada
correm pra trás e sinto as lombadas abaixo dos pés

algumas horas semanas anos ou segundos que separam
goles macios abraços quentes risadas soltas
que saem rindo por aí e fazendo risadas

nem tudo é como se quer
fala se o que quer
ouve se o que não quer

teria sido melhor não ouvir
mas teria sido melhor ouvir
o grande palácio inquebrável vai assim fortalecendo as estruturas

mas quando olho pra você, feito camarão
gosto do sorriso que seduz sem força
da voz que acalma calmamente
'que diferença faz'

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

escorrendo pela rua e calçada
quebrada e doce face coração
apertado feliz sorrindo

lembrança lembra sorri
ilumina enche e sorri mais ainda
passeio solitário

pessoas com pressa
sozinhas tristes felizes abandonadas
acompanhadas caminhadas separadas

cinza pra cima
verde em baixo
azul na frente laranja atrás, no céu

da cidade que caminha cospe chora sorri
implora pede ignora humilha
ouve, escuta

o dia já virou e você nem percebeu.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

quando a vista embaça e o olho gruda
é que vem mais água pra embaçar e desgrudar


domingo, 10 de janeiro de 2010

se gritar resolvesse e chorar aliviasse,
mas mesmo assim eu grito baixinho e choro de leve

acordei com ela controlada
pela tarde ela aumentou
à noite não havia o que fazer
perdi o controle
escapou e voou pra longe
até onde você estiver

mas chega logo
logo ali

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

diz que fui viajar

enquanto desaba o céu
há nuvens e flores que somem
há um grito que cala
e uma dor que escuta

dor que calada incomoda
choro de um pé que foi viajar
e nas mãos pedras sem jogar

é tudo que fica quando o resto vai embora
o grito ardido que queima a barriga espreme peito e coração

a cidade afaga e conduz
mas o lar doce lar se mudou sem avisar

sábado, 19 de dezembro de 2009

bagunça

a rua não havia
o céu só restava latejar (talvez fosse só por cima)

como surgem dois céus,
sendo que há apenas um
e ele fica pra lá

silêncio chato que insiste em incomodar
se um ruído tão distante tenta se enfiar

imersa em retalhos tenta se esconder
ostenta frente-a-fronte a balbuciar

mostra tanto que demostra o utilizar
de um afeto tão tamanho que vem a transbordar

domingo, 6 de dezembro de 2009

algumas coisas estão fadadas ao insucesso.

poisé.